terça-feira, 9 de agosto de 2011

"Mamãe na Meia-Idade"

Dia desses na sala-de-espera da médica da Isabel tive a sorte de me deparar com este delicioso texto. Digo 'sorte' porque a consulta atrasou em uma hora e meia então foi bom ter algo interessante para me distrair! É um relato irônico e bem-humorado de uma mulher que foi mãe pela primeira vez aos 36 e pela segunda vez aos 43. Minha intenção não é sugerir que a mulher tenha que ser mãe aos x anos de idade; apenas quero dividir com vocês esta leitura que me fez rir e ponderar.



"Mamãe na Meia-Idade"

Criar filho não é brincadeira; mas, à medida que os anos vão passando, tudo pode piorar...

por Jean Kittson

Em média, as mulheres de hoje vêm tendo o primeiro filho na idade em que antigamente tinham a primeira crise da meia-idade. Especialistas dizem que elas querem fazer carreira antes, talvez vivenciar alguns casamentos ou criar o próprio estilo de vida. Algumas ainda esperam encontrar um príncipe encantado: alguém que tenha carreira e estilo de vida próprios, de modo que, ao contrário dos pais, os casais possam comparar currículos e genes na elegante mobília da sala.

As mulheres dizem a si mesmas: “Eu já terei vivido e chegado à maturidade. Saberei coisas. Serei uma mãe melhor se esperar.” Como ganhadores de loteria, declaram: “Isso não vai mudar minha vida.”

Como alguém que sabe por experiência, deixem que eu me meta: “Opa! Está errado!”

Minha primeira filha veio quando eu estava na idade ridiculamente madura de 36 anos; a segunda e inesperada, aos 43. O planejamento familiar não teve nada a ver com isso.

Meu marido optou por morar em Sydney, na Austrália, e eu, em Melbourne, e não chegamos a ter filhos porque não conseguíamos nos encontrar, e muito menos acasalar, até uma idade em que a luz dos banheiros públicos começou a expor nossas rugas. Eu não esperava um príncipe encantado; apenas me esqueci de ter filhos quando era mais nova.

Eu achava que os bebês acabam acontecendo, como a puberdade, as ressacas e os novos cortes de cabelo. E aca­bou acontecendo quando eu tinha 36 anos. Então meu obstetra me disse que a possibilidade de problemas no parto se multiplica com a idade (o plano de saúde mandou-o dizer isso); que a probabilidade de precisar de auxílio no parto – aspiradores de pó, martelos hidráulicos – também aumentaria drasticamente; e que, quando o meu corpo se recuperasse, já estaria na hora da primeira prótese de quadril.

Nada disso me assustou.

Tudo correu de acordo com o plano. Meu marido e eu fomos às aulas de parto, nas quais, por ter 36 anos e um emprego, eu aproveitava a oportunidade para dormir, e, ao acordar, via o meu marido, que não conhecia os mistérios do colo uterino, horrorizado com os slides. Depois de eu ter passado da data prevista do parto, uma parteira trouxe um par de gêmeos prematuros recém-nascidos para minha admiração.

Os dois se aninhavam nas suas mãos em concha... Eu deveria me sentir imediatamente protetora e maternal à espera do momento iminente do meu parto, mas, em vez disso, me apavorei.

Eu não conseguiria cuidar de coisas tão vulneráveis e indefesas. Perderia o bebê entre as almofadas do sofá; céus, eu já comera sobremesas maiores! Meu colo do útero então se fechou como um marisco desconfiado. Assim, induziram o parto com um coquetel hormonal, o equivalente químico de uma sirene que dizia ao bebê: “Não entre em pânico. Localize a saída mais próxima e caia fora!” Depois de horas, perguntei à parteira: “Não estou com dilatação? Acho que até já dava para parir um elefante! E tenho uma audioconferência amanhã.” Ela deu uma cutucada rápida e disse: “Ah, veja, oito centímetros, está quase.”

Pois é, duas semanas depois Victoria nasceu.

Enquanto isso, na enfermaria ao lado, jovenzinhas de 24 anos em boa forma, que tinham assistido acordadas a todas as aulas, cuspiam bebês na hora certa, sem confusão, como bolinhos perfeitos num prato, enquanto proseavam.

Mas se já achei assustador ter um filho com 36 anos, voltar ao obstetra aos 43 foi como assistir a um filme de terror à noite e, no dia seguinte, visitar o cemitério. Optamos pela cesariana porque, quando a gente fica mais velha, nem tudo é tão flexível assim. Além disso, fiquei com medo de sufocar com a dentadura. Ou cair do andador quando o médico dissesse: “Força!”

Aos 24 anos, a maravilha do nascimento é tão emocionante quanto as pétalas de uma flor que se abre. Aos 43, eu sabia exatamente de que remédios precisava. Quando o médico ergueu a criança, eu estava no meio de uma conversa, discutindo imóveis com a enfermeira. Aprovei com a cabeça, como fazemos quando alguém nos mostra uma garrafa de vinho, e voltei aos juros fixos ou variáveis. Acho que o meu marido pegou o bebê para que pudéssemos ir para casa.

E as surpresas continuaram durante a escola primária e a adolescência. Enquanto os filhos crescem, as mães formam grupos. Isso impede que bebam sozinhas. Mas os grupos de mães são iguais aos grupos de filhos: há mães legais, mães esportivas e mães nerds, e todas encontram o seu grupo, menos a mãe mais velha que só é sete anos mais nova do que as avós das outras crianças.

Talvez a mãe não se preocupe com isso porque é madura, entende a rejeição e já tem amigos (que estão sempre no exterior, viajando, porque os filhos deles já saíram de casa), mas o seu filho erá uma desvantagem visível. Os filhos das outras mães vão brincar juntos depois da escola, enquanto você, supostamente, estará fazendo cerâmica, cochilando ou escrevendo zangada à diretoria. Seu filho fará perguntas como: “Por que você não foi ao show de Kylie Minogue com as outras mães?”

E aos poucos você percebe que o seu estilo de vida bem pensado pode causar um impacto negativo nos filhos. Eles não querem uma mãe mais velha; eles querem uma mãe legal. Lembra como a sua mãe parecia velha quando você estava na escola? Então, some mais dez anos e rugas por todo o corpo. Não importa que se sinta jovem nem que esteja em forma. Ao lado de outra mãe 20 anos mais jovem, isso não adianta. De repente, o estilo de vida não parece mais tão flexível quanto antes.

Os filhos se importam com o cargo de comando que você tem na empresa? Com as prestações da casa própria, quase todas pagas? Não! O que importa para eles é se encaixarem no grupo das crianças de que gostam. Assim, os filhos crescem ressentidos conosco porque estragamos a infância deles e os condenamos a anos de terapia. Supere isso! Porque aí vem a adolescência. As duas épocas mais turbulentas da vida da mulher são a adolescência e a menopausa, e VOCÊ VAI PASSAR PELAS DUAS AO MESMO TEMPO!

Ah, desculpe, eu estava gritando? É que estou meio tensa, sabe. Esse é um choque de hormônios cataclísmico. A casa vai tremer com a colisão das placas tectônicas hormonais. O piercing perfurante no umbigo dela e a dor perfurante na sua cabeça...

Escolha de estilo de vida? Pode esquecer, porque a filha adolescente está entrando na época de sexo, rock’n’roll e provas finais. Precisa de mais supervisão do que quando era pequena (e dava para enfiá-la na cama às oito da noite). Você não vai ao viveiro de mudas ver as orquídeas; vai é buscar as meninas nos bailes de Carnaval e nas baladas. E não se esqueça, você vai organizar a festa de 18 anos delas E a sua de 60. Vamos dividir tudo! Preciso de um DJ que toque dos clássicos ao funk!

Veja bem, tudo isso vale a pena, é uma viagem muito louca. Mas, como a maior viagem da vida, você quer saber aonde vai e no que está se metendo.

Talvez valha a pena ponderar nas palavras de Jerry Seinfeld: “Às vezes a estrada menos percorrida é menos percorrida por uma boa razão...”



Guia Moderno Para Mães Mais Velhas

Mãe Mais Velha – Toda mãe com dez anos a mais do que as outras mães.

"O Bebê Nos Escolhe" – Crença hippie de que, quando chega a hora, o espírito da criança habita o nosso corpo e engravidamos. O sexo é para... hã... manter o caminho livre de obstáculos.

Segundo Filho – Para as mães mais velhas, ter um segundo filho é como ter um segundo cachorro. Fazem companhia um ao outro caso a mãe saia para dar umas voltas quando eles tiverem uns 10 anos.

Primípara – Primípara não é um grupo de rock, não seja bobo. Pode parecer, mas não é. Significa apenas mãe de primeira viagem. No caso das mães mais velhas, seria melhor dizer “primi-pára” – pois, carregando um peso a mais, só temos mesmo é vontade de parar.

Azia – Durante a gravidez, a azia é tão forte que parece que a gente engoliu os Tokyo Schock Boys, aquele grupo que solta grandes jatos de chamas no palco e põe fogo até em pum.

Vinho – Para curar a azia, você abre mão de tudo, menos do vinho. Afinal, vinho é uma delícia, e, como mãe mais velha, você sabe que, se não puder tomar o seu vinho, como é que vai sobreviver a todos esses quilos a mais?


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Primeiro Dia na Escolinha

A Isabel começou na escolinha na semana em que completou seis meses. Não foi a primeira vez em que eu ficava longe dela o dia todo, pois eu havia voltado a trabalhar quando ela completou quatro meses e meio. Mas até então, às segundas e quartas – dias em que eu trabalho – ela ficava com minha irmã que está de licença-maternidade.

A princípio ela ficaria lá só nos dias em que eu trabalho mas as ‘tias’ disseram que não daria certo, que a criança precisa de uma certa rotina se não não se acostuma e chora muito, ‘incendeia’ o choro dos outros e tal. Então ela tem ficado o dia todo às segundas e quartas, e das oito ao meio-dia nos demais dias.

Eu já conhecia a escolinha. É a mesma em que meus sobrinhos haviam ficado quando minhas irmãs voltaram a trabalhar. Se chama ‘Babá Express’. Quer nome mais modernete que esse, rs? Fica a poucas quadras de casa mas é longe o suficiente para a Isabel conseguir dormir durante o translado! A escolinha é ótima. E eles não cobram caro. Foi um verdadeiro achado.

Quem cuida das crianças são as donas: uma ‘tia’ – uma senhora – cuida do berçário com o auxílio de uma ajudante. Sua filha fica na coordenação e também ajuda no que for preciso. E elas contam com duas netas e mais uma terceira ‘tia’ jovenzinha que se revezam como ajudante do berçário e professora dos mais velhos.

O berçário fica no andar de cima, numa sala com pé-direito alto e amplas janelas. Há uma cozinha em estilo americano e um terraço grande cheio de brinquedos onde diariamente, às dez da manhã, minha filhota toma sol.

Enfim. Eu sempre tive plena confiança de que lá ela seria bem cuidada. Meus sobrinhos adoravam. Nunca ficaram assados, amavam as ‘tias’, saíam de lá sempre limpinhos... Mas mesmo assim eu não estava preparada para o que aconteceu logo no primeiro dia de ‘aula’.

Depois de ler um artigo com dicas para as mães que vão deixar os filhos na escolinha, resolvi que seria bom a Isabel ter um ‘período de adaptação’. Sendo assim, uma semana antes de terminarem minhas férias ela começou a freqüentar a Babá Express. A idéia era deixá-la lá o tempo que ela aceitasse ficar. Eu ligaria quando quisesse para saber se estava tudo bem e elas me avisariam se achassem que era preciso ir buscar a Isabel antes do horário combinado. No fundo eu sabia que ela se adaptaria bem pois a Isa já havia dado sinais de que tem uma personalidade versátil.

Após algumas ligações e constatações de que minha previsão estava certa fui buscá-la só no horário combinado. E assim foi durante todo o (desnecessário) período de adaptação.

Cheguei. Estacionei o carro e toquei a campainha.

- Quem é?
- É a mãe da Isabel.
- Tá. Só um segundo.
- Tá bom.

E então abriu-se a minha ‘porta da esperança’. Vi minha panquequinha lá toda sorridente embrulhada no cobertor e abri os braços para pegá-la no colo.

Ela olhou para mim e... virou a cara!

Arregalei os olhos e respirei fundo. Eu estava esperando umas perninhas balançando freneticamente como o rabinho de um cão que se entusiasma todo ao ver o dono chegar em casa. Desculpe a comparação mas é inevitável! Achei que ela abriria os braços como os bebês costumam fazer no melhor estilo “quero a mamãe!”. Que nada!

A ‘tia’ do berçário notou minha velada indignação e tentou pôr panos quentes. “Ai, é assim mesmo, eles adoram a escolinha, tem um monte de novidade, novos amiguinhos..” E eu nem prestei atenção a tudo que ela disse. Estava tomada pelo ciúme! Pela primeira vez na vida da Isabel eu estava louca, doida de ciúmes dela. Como pode!? Ela é feita de mim! Foi parte de mim fisicamente durante oito meses, eu a pari, eu lhe dou alimento, amor, aconchego durante seis meses e ela me troca por uma senhora que ela conhece a menos de quatro horas!?

Fiquei também toda encabulada. “A mulher deve achar que eu maltrato minha filha para ela não querer meu colo!”.

E antes que eu desse uma de avestruz e cavasse um buraco para enterrar minha cabeça a Isabel se virou, sorriu de novo como se disesse “brincadeirinha!”, abriu os braços e pediu meu colo, do jeito que só ela sabe fazer.

E eu dei. Toda feliz. E aliviada! E ficamos lá, nos cheirando... por uns cinco segundos!

Foi só ela ver a tia que abriu os bracinhos e se debruçou em sua direção! Deixei-a ir, mais calma desta vez porque pelo menos ela havia me permitido tirar uma casquinha. E para minha total realização, assim que ela notou que não estava nos meus braços ela pediu meu colo de novo. E desta vez ela sossegou. Acho que começou a perceber que os dois colos são mutuamente exclusivos e preferiu o meu, rs!

Fomos embora. Assim que dobramos a esquina parei o carro e liguei para minha irmã. Contei-lhe o ocorrido ainda incrédula. E ela, rindo, me assegurou de que era assim mesmo. Que as tias jamais iriam me substituir. Que eu tinha é que ficar contente que minha filha estava em boas mãos e sendo bem-tratada. Que ela estava gostando da escolinha. Que isso deveria me tranqüilizar e não atormentar, e blábláblá... Tá! Mas, logo no primeiro dia!?

Aos poucos fui me convencendo de que ela estava certa. Hoje ainda bate uma ponta de ciúmes mas pelo menos a Isabel não tem me aprontado mais dessas!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cadê o Bom-Senso (O Meu e o do Mundo)?

Encontrei este artigo ontem no site da UOL.

É sobre uma boneca que foi lançada recentemente nos EUA. Ela vem com uma blusa que as crianças vestem e nessa blusa há, não região dos seios, duas flores equipadas com sensores. Quando a boca da boneca se aproxima dos sensores a boneca então começa a emitir sons e a se mexer como se estivesse mamando no peito da criança.


A boneca Breast Milk Baby está recebendo críticas porque faz sons e se mexe como se estivesse mamando no peito


Minha primeira reação foi de achar isso tudo um absurdo. Não porque - como a maioria das pessoas contrárias à boneca - ela estimularia uma sexualidade precoce nas crianças, e sim porque eu achei que ela induziria um amadurecimento precoce nas crianças.

Mas aí - graças a Deus! - eu continuei lendo o artigo e meu bom-senso voltou. As crianças brincam de boneca justamente porque elas gostam de, por alguns minutos, fazer de conta que são adultas. E isso é natural delas, é saudável, é parte da infância e do preparo para a vida adulta. Prova disso foi o episódio em que minha sobrinha, aos dois anos e meio, tentou amamentar a Isabel para acalmá-la, como relatei aqui.

Então, se é assim, nada mais natural e saudável do que elas aprenderem desde cedo que o melhor mesmo é amamentar no peito, não é?

Leiam o artigo, está interessante. E os comentários mais recentes também. Concordo com quem diz que "a maldade é vista somente pelos olhos dos adultos, nunca das crianças" e também faço coro com aqueles que apontam que é estranho que para nós sejam aceitáveis as propagandas que incentivam as crianças a comer porcarias e tal mas não a boneca em questão. E vou mais longe. Somos um país em que é normal ver vinheta de Carnaval com mulher nua na TV, as Globelezas da vida, a qualquer hora do dia, mas ensinar as crianças que o mais saudável é o bebê mamar no peito - ah! Isso não pode!

Estamos ou não perdendo o bom-senso? Ainda bem que recuperei o meu a tempo!

É claro que um dia essas crianças crescerão. Algumas se tornarão mães e verão que amamentar não é tão fácil assim. Outras se tornarão pais e verão que eles só poderão 'amamentar' seus bebês com mamadeira mesmo. Mas tudo isso faz parte da vida. Do aprendizado que eles terão que absorver e que nós temos que procurar ensinar aos nossos filhos. De que às vezes não conseguimos o que achamos ser o melhor, o que queremos. 

Mas não acho que isso sirva de desculpa para não lhes mostrarmos desde pequenos o que sabemos ser 'o melhor'. E cá entre nós isso já é em si algo raro, não? Saber o que é 'o melhor'...

Sou a favor da boneca.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Correção

Ontem à noite, enquanto eu procurava um documento em casa, encontrei a receita original da pomada que curou meus olhos-de-peixe de maneira rápida, barata e indolor.

A fórmula é exatamente a seguinte, copiada da receita da médica:

Tea Tree - 5%
Dióxido de Titânio - 20%
Creme Não Iônico - q.s.p. 30g

Já fiz a devida correção no post original. Antes eu havia postado a fórmula como eu me lembrava dela - e não era a fórmula correta - e havia salientado que eu não tinha certeza se era isso mesmo, que era melhor consultar um médico antes. Mas agora eu tenho certeza desta que estou postando. Podem confiar nesta, rs.

sábado, 30 de julho de 2011

Nova Era, Novos Sabores!

Semana retrasada a Isa fez seis meses.

E com a chegada do seu sexto mesversário veio também o fim de uma era. Ou o começo de outra, como prefiro pensar. Chegou ao fim a amamentação exclusiva e ela então começou a explorar novos sabores.

Confesso que para mim foi um alívio pois por vezes eu pensei que não conseguiria amamentá-la só com meu leite por tanto tempo. Mas cá estamos nós. Eu também tinha esperanças de que com a introdução de novos alimentos ela passasse a ter menos cólicas. Ainda é cedo para dizer...

A primeira papinha foi uma bananinha amassada mas ela não pareceu gostar muito. Achei que por ser docinha lhe agradaria, mas não. Talvez por ter sido a primeira, não sei. O pediatra havia recomendado começar com as papinhas de fruta já aos cinco meses mas eu o ignorei e esperei o sexto. Ele argumentou que era para ela "se acostumar à colherzinha".

Eu entendo que é muita mudança. É um objeto estranho na boca. Mas para a Isa não era tão estranho assim já que eu sempre dei remédio para ela usando a colherzinha, nunca pingando direto na boca - falarei sobre o porquê disso em outra oportunidade. E também não achei que fosse uma 'desculpa' boa o suficiente para eu encurtar o período de aleitamento exclusivo que eu vinha lutando tanto para sustentar.

A Adri Santos postou um artigo sobre papinhas e tem um trecho que eu achei bem interessante:

"Nos primeiros meses, os bebês associam comida com carinho. Se alimentar é uma interação íntima, e bebês freqüentemente associam o ritual de comer com pegar no sono nos braços ou no peito da mãe. A mudança de um peito suave para uma colher fria, dura, pode não ser bem-vinda com uma boca aberta. Dar papinhas ao bebê é uma maneira mais mecânica e menos íntima de 'entregar' comida. Requer que o bebê se sente num cadeirão de comer, uma habilidade que a maioria dos bebês desenvolve por volta dos 5-7 meses. Segurar um bebê na posição tradicional de mamar não é a melhor maneira de introduzir papinhas, porque seu bebê vai achar que vai ser amamentado - ou tomar mamadeira -  e vai achar que algo está errado e vai provavelmente rejeitar a comida."
E realmente, no começo foi meio difícil. Eu não ligava porque com meus sobrinhos tinha sido igual então eu sabia que teria que ter muita paciência  - e um enorme babador! O da Isa é quase um poncho de tão grande, rs. No começo eles mais cospem do que engolem. Eu só sabia que ela estava comendo 'alguma coisa' quando via um pouco de papinha no cocô, rs. Mas depois de uma semana ela já estava uma comilona! Puxou a mãe, rs!

Fiz uma papinha insossa de cenoura, abobrinha, alface, tomate e cebola. Ela comeu tu-do e ainda reclamou quando acabou o potinho. Na escolinha as tias comentam que ela tem um apetite "bom demais". Minhas irmãs dizem que ela parece ter dado uma espichada. E eu fico aliviada porque ela nunca foi de mamar muito e eu temia que também não fosse muito chegada a uma papinha. Acho que aquele conselho que me deram no começo da gravidez deu certo. Era para eu comer de tudo na gravidez - óbvio que controlando a quantidade - e também no aleitamento. Isso porque o sabor do leite da gente - poxa, como é que se escreve? é 'da gente' mesmo? - tem uma pequena variação conforme nossa alimentação. E bebês de mães que comiam de tudo durante o aleitamento têm portanto uma maior aceitação a diferentes alimentos pois estão acostumados à 'variedade' de sabores. Não sei se foi isso que ajudou mas 'atrapalhar' não pode ter atrapalhado!

A Isa come sentada no cadeirão que pertencia aos meus sobrinhos. Mais uma das maravilhas de ser a última da família a ter nenê - eu não preciso comprar nada, rs! É este aqui, o Merenda da Pég-Perego:



Eu acho bom que ela coma lá e não na cadeirinha para ela se acostumar a se sentar à mesa para comer. E o cadeirão se tornou um outro recurso para mim nas horas em que ela quer atenção e eu não posso dar. Coloco seus brinquedos lá, a viro para mim e ela sossega um pouco, rs. Gosta de ficar 'nas alturas', tadinha!

Confesso que sou meio desencanada com essa coisa de papinha. Tem pediatra que diz que pode uma coisa, outros que dizem que não pode. Eu ajo de acordo com meu bom-senso. Tinha a idéia de não salgar suas papinhas. Se ela não aceitasse daí talvez eu colocasse sal - embora alguma erva talvez fosse uma saída mais saud´vael. Mas se ela aceitasse não o usaria. E por sorte ela gostou da papinha mesmo sem sal. Só que na escolinha eles colocam um pouco de sal. Paciência. Mais uma daquelas coisas sobre as quais nós não temos o controle e temos que nos conformar.

Lá elas também batem tudo no liquidificador, que me disseram que não é recomendado. Não me lembro direito o motivo. Acho que a comida perde um pouco de suas propriedades e também a consistência da comida fica fina demais - o que não estimula a criança a aprender a mastigar. Mas acho que isso de mastigação é mais para frente, né? Quando tiver dente... De qualquer modo, acho que o fato de na escolinha a papinha ser batida no liquidificador não é o fim do mundo. Afinal, 'algum' nutriente ela vai absorver, né! E lá elas cuidam tão bem que não posso reclamar. Depois faço um post sobre seus primeiros dias na escolinha.

Em casa - nos finais-de-semana, já que durante a semana a Isa come na escolinha - eu conto com mais uma súper 'emprestação' das minhas irmãs. É um aparelho que cozinha tudo a vapor - sem que a água ferva, entendeu? Eu também não. Enfim. Tem vários 'andares' de forma que você coloca o que for mais difícil de cozinhar em baixo e o que for mais fácil em cima. Tem botões para cada tipo de comida - até arroz! - mas você mesma pode determinar o tempo em minutos sem apelar para os tais botões. Ele apita quando o tempo tiver acabado e daí fica no modo 'Keep Warm' em que ele só mantêm a comida naquela temperatura. Você só coloca a comida lá - eu descasco e corto para que seja mais rápido - e espera. Ele acende uma luz - e acho que apita também, não sei - quando a água estiver acabando e você tem que 're-fill'. É tudo de bom mas elas disseram que é caro. E eu acredito! É este aqui, a Panela a Vapor PURE, da Walita, da PHILIPS:




É bem prático. Feita a comida eu a 'transformo' - mágica eu, né? - em papinha usando um espremedor de alho.

Para armazená-la e aquecê-la em banho-maria uso os mesmos potinhos que uso para armazenar meu leite. São BPA-free e vêm em uma caixinha com cinco que custa uns R$ 46,00. São estes aqui, da MAM:


Para dar a papinha de fruta geralmente eu corto a fruta e raspo com a colherzinha e já dou na boca da Isa. Os suquinhos eu dou na colherzinha porque na mamadeira ela resuca, sei lá eu por quê! Dia desses fiz suco de laranja-lima mas esqueci de coar. A coitada ficava tentando sugar a mamadeira e não saía nada. Aí me dei conta de que o bico estava entupido, rs. Tirei, coei, desentupi e voltei a tentar. Mas nada feito. Tem que ser de colher mesmo. Vamos ver quanto tempo dura essa frescura dela, rs.

Se na amamentação exclusiva eu não via a hora de ela começar a comer papinha, confesso que vira-e-mexe dá uma saudade dos tempos de aleitamento exclusivo... era mais prático só tirar o peito para fora. Mas tudo tem um lado bom e um lado ruim.

Ah!  E o lado engraçado também! Eu nunca mais vou poder olhar o cocô da Isa e pensar: "Ahm! Tudo isso aí foi o meu almoço de ontem!".

Hehehe. :-)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Olho-de-Peixe

Um dia, um de nossos filhos com certeza será acometido pelo vírus HPV que causa o famigerado 'olho-de-peixe' - também conhecido como 'verruga' ou 'verruga plantar', se for na sola do pé.

E para ajudar as mães - e pais, e cuidadores em geral - vou contar aqui como acabei com os meus de forma simples, rápida e indolor e passar a fórmula da tal pomada milagrosa (em negrito).



Começou quando eu ainda morava na Inglaterra. Eu freqüentava bastante a piscina da faculdade – devo ter pego lá! – e um dia, secando meus pés, vi uma bolinha branca estranha na sola do meu dedão. Não dei muita bola, achei que fosse uma bolha ou algo assim.

Mas aí eu comecei a reparar que estavam pipocando mais bolinhas. Como eu estava atarefada e já tinha passagem marcada para o Brasil, decidi ir ao médico quando chegasse aqui.

Fui a uma dermatologista do convênio que me diagnosticou com olho-de-peixe. Eu achei estranho porque tinha uma lembrança distante de minha irmã com um desses no pé e ele tinha uma bolinha preta no meio, diferente das minhas que eram só brancas. A esta altura eu já não estava com um olho-de-peixe. Estava, como li aqui, com um verdadeiro cardume!

"Eca! Que nojo!" Eu sei... eu também achava! Tinha uns dez!

Enfim. Ela aplicou nitrogênio líquido em duas ocasiões e me mandou passar Verrux. A cada três dias eu tinha que lixar a verruga. Fiz e não deu certo.

Tentei ir numa famosa rede de podólogos. Fiz várias cauterizações, gastei um dinheirão, senti muita dor e também não deu certo. De tanto queimar duas das verrugas, hoje tenho as cicatrizes. Talvez a cauterização dê certo para quem tem uma ou no máximo duas verrugas, mas para quem tem muitas acho que não é uma boa opção!

Apelei também para o vinagre de cidra – vinagre de maçã – pois havia lido que funcionava. Mas era muito chato ter que ficar com os pés imersos numa bacia de vinagre todo dia por pelo menos 20 minutos.

E aí minha mãe sugeriu que eu passasse numa outra dermatologista, a ótima Dra. Valéria Marcondes. Ela é muito boa, mas – pelo menos na época – não atendia por convênio e a consulta era meio salgada. Como eu já havia tentando de tudo e gastado muito dinheiro e tempo – quase dois anos! – sem sucesso, fui lá.

E eis que ela me presenteia com a solução! Tão simples, barata, rápida, indolor... Nem acreditei. Me mandou manipular um creme à base de ‘tea tree oil'. Acho que em português é óleo de melaleuca. A fórmula* é exatamente a seguinte, copiada da receita da médica:

Tea Tree – 5%
Dióxido de Titânio - 20%
Creme Não Iônico – q.s.p. 30g

Custou R$ 20,00.

Eu tinha que passar nas verrugas duas vezes ao dia e esperar secar antes de colocar os pés no chão. Mas secava rápido. Eu tomava banho de manhã, aplicava o creme, esperava secar e calçava os sapatos. Daí à noite antes de me deitar tomava outro banho e seguia o mesmo procedimento. O creme tinha um cheirinho de menta de-li-ci-oso.

Em pouco mais de um mês de uso eu já notei melhoras significativas. Depois nem me lembro direito, mas usei mais um pouco e elas todas sumiram! Só ficaram as cicatrizes das que haviam sido queimadas excessivamente.

E a receita da solução para os olhos-de-peixe. Que hoje divido aqui com vocês!

*Este post foi editado quando eu encontrei a receita da médica e consegui postar a fórmula correta. A fórmula que está aqui é a correta.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

"Meu Filho, Você Não Merece Nada"

Recebi hoje de manhã este e-mail de uma colega de trabalho. Leitura obrigatória, não só para mães, mas para todos.

E já que estamos falando de frases que a princípio não nos dizem nada, mas que depois parecem olhar diretamente nos nossos olhos, lanço outra que tem tudo a ver com o artigo em questão.

Na minha viagem de formatura do colegial, fomos a Porto de Galinhas. E lá, num luau na praia, sob um céu estrelado - e com uma estrela cadente! - um amigo muito gente-fina – daquele tipo de pessoa que não se destaca em nada, mas que no fundo você sabe que será o mais feliz e bem-sucedido da turma, simplesmente por ser muito pé-no-chão e ‘well-rounded’ - e eu conversávamos seriamente sobre a nova etapa de nossas vidas enquanto os outros, afastados, cantavam e tocavam violão.

E então ele me contou que seu pai, um grande amigo, havia lhe dado um conselho para a vida toda. Mas antes de dividir esse conselho comigo – que estava hiper curiosa para ouvi-lo, é claro – me alertou que eu só compreenderia a verdadeira importância daquelas palavras quando eu estivesse pronta. E de fato foi o que aconteceu.

O tal conselho?

“Nunca pense que a Vida te deve nada.”

...

Anos mais tarde encontrei uma variante mais bem-humorada:

“Esperar que a Vida te trate de forma justa porque você é bom, é como esperar que o touro não saia em disparada porque você é vegetariano.”

Bem que na escola algumas professoras tentavam nos alertar... Quando reclamávamos de que "Ah! Mas isso não é justo!", elas retrucavam um seco "A Vida não é justa"...

...

Abaixo, o artigo. História da minha vida...


“Meu Filho, Você Não Merece Nada”

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada.

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum


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E eu ainda estou tentando lidar com essa nova realidade, lutando para aceitá-la, para me ajustar, me bancar, tomar minhas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas conseqüências, tomar as rédeas da minha vida e seguir em frente... E mais uma vez, só tenho uma pessoa a agradecer por tudo isso. Confesso, não está sendo nada fácil, mas é encantadoramente libertador!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Vida

Inspirado no post da Dani.

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Volte e meia me pego pensando que se eu morresse hoje a Isabel cresceria e se esqueceria de mim. Eu seria uma estranha, uma desconhecida. Ela só conheceria meu rosto, minha voz, meu jeito de ser, por meio de fotos e filmes. Provavelmente ouviria histórias a meu respeito e seguramente a família lhe contaria o quanto eu babava por ela.

Mas será que eles conseguiriam lhe explicar a dimensão do meu sentimento por ela?

Eu pondero um pouco, aperto os lábios e balanço a cabeça.

Não. Jamais.

Porque amor não se explica, não se descreve. Amor se sente, se vive.

E então o que me conforta é a certeza de que o carinho e a atenção que eu lhe dedico todos os dias, ainda que fossem esquecidos pelo seu corpo físico, certamente ficam cravados em seu espírito e em sua alma – esta sim eterna.

E quando sou tomada por esse estado de absurda lucidez mental me vêm à mente duas frases. São frases que quando eu ouvi pela primeira vez não me disseram nada. Mas que hoje, após ter passado por certas experiências, parecem olhar diretamente nos meus olhos.

A primeira, de Robert Frost:

“Em três (no original) palavras eu posso resumir tudo o que eu aprendi sobre a vida: ela continua”.


A segunda, do meu astrólogo favorito, o argentino radicado no Brasil, Oscar Quiroga:

“Não somos nós quem vivemos a Vida. A Vida é que vive através de nós”.


Certamente, um dia qualquer, você - como eu - se lembrará dessas frases e finalmente as compreenderá de verdade. Você as viverá.

Se é que já não o faz, é claro.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

AM: Preparando os Mamilos e Evitando Rachaduras

Já diz o ditado que "é melhor prevenir do que remediar". Não dá para saber se você será uma das (pouquíssimas - aliás, não conheço nenhuma!) sortudas que não fazem nada para preparar os mamilos para a amamentação e ainda assim não têm nenhum problema quando é chegada a hora. Então o melhor mesmo a fazer é se preparar. Mas, e aí... como é que se faz o preparo?

Bom, o que relato aqui tem como base minha própria experiência apenas. Mas acredito que seja de alguma valia pois eu não tive nenhum problema nesse sentido.

"Ué, mas você não disse aqui que enfrentou sim um sangramento do mamilo?"

Muita calma nessa hora! Sim, eu disse. O que ocorre é que esse sangramento - e a dor que o acompanhou - foi desencadeado por um outro problema, e sucedeu quando Isabel já tinha uns quatro meses. Ou seja, no momento ele é irrelevante.

Bom, vamos então ao que interessa.

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As recomendações mais comuns no tocante ao preparo dos seios são de se tomar as seguintes atitudes desde os primeiros dias de gravidez:

(1) Banho-de-sol diário nos mamilos, com duração de cerca de 15 minutos. De preferência o sol da manhã, até as 10:00.

Eu bem que tentei. Mas aqui onde eu moro é impossível fazer o banho-de-sol sem atrair o olhar do meu vizinho... Fiz uma vez na casa da minha mãe mas onde ela mora é tranqüilo e o vizinho mais próximo está longe o suficiente!

Para quem, como eu, não tem como fazer o banho, eles recomendam que se use uma daquelas lâmpadas infra-vermelhas (vide foto) ou mesmo uma lâmpada comum. Mas é necessário tomar cuidado para não se queimar: o banho não deve ultrapassar os 15 minutos e os seios devem estar a uma distância segura da lâmpada - cerca de 20cm no mínimo. Como li isso num site da vida, se alguém quiser tentar eu acho melhor conversar com um médico antes para ter certeza.





Eu não tive paciência para nada disso. Só segui as próximas recomendações:


(2) Não passar hidratante na auréola nem no mamilo.

Toda grávida se lambuza de óleos, hidratantes e cremes para evitar as estrias. Sobretudo nos seios e na barriga. Mas quando o fizer, pule as auréolas e os mamilos. Não tenho a pretensão de ser uma especialista no assunto e saber direitinho o porquê dessa recomendação, mas acredito que seja porque ao passar esses produtos você hidrata a pele e a deixa mais sensível, suscetível a rachaduras e cortes.

Essa foi uma das atitudes que eu tomei e que acho que ajudaram. Não precisa passar o produto loooooonge da auréola, é só não passar nela. Na pele do seio, em volta, não há problema - aliás, é bom para evitar as estrias!


(3) Esfregar uma bucha vegetal na auréola e no mamilo diariamente.

Fiz isso religiosamente e sinceramente acho que foi o que mais me ajudou a não ter problemas com os bicos do seio ao amamentar.

Algumas pessoas tentaram e disseram que não recomendam. Mas eu não sei o porquê. Talvez pela dor?

É claro que dói um pouco sim. É um pouco de auto-tortura. Mas é só no começo. À medida que você vai insistindo, você vai 'calejando' a pele e ela vai se tornando mais grossa e resistente. E é essa a idéia mesmo: tornar a pele mais grossa e resistente para que ela não fique (tão) machucada quando o bebê for mamar, e conseqüentemente você não sinta dor.

Me lembro de conversar com meu médico e de dizer: "Doutor, mas dói!" e de ele responder: "É melhor que doa agora do que quando o bebê quiser mamar, né!?".

Eis o que eu fazia:

Esfregava a bucha vegetal em movimentos circulares, 50 vezes em sentido horário e depois mais 50 vezes em sentido anti-horário em cada auréola / mamilo. Fazia isso debaixo do chuveiro todas as vezes em que ia tomar banho - eu geralmente tomo um de manhã e outro antes de me deitar. No começo eu fazia bem lentamente porque machucava um pouco, mas ao final da gestação eu já esfregava vigorosamente e não estava nem aí - e assim eu sabia que tinha dado certo pois meus mamilos, antes sensíveis ao extremo, estavam mais resistentes.

Para quem estiver preocupada, achando que isso tirará toda e qualquer sensibilidade do bico, inclusive aquela sensibilidade 'boa', pode ficar tranqüila que ele continuará sendo uma zona erógena, rs!

Há pessoas que dizem que tentaram isto e não deu certo. O que eu penso a respeito:

Ou (1) a pessoa não fez disso um hábito, esfregando a bucha diariamente durante a gravidez, ou (2) a pessoa não esfregava forte o suficiente, ficava só no lenga-lenga.

Na minha (humilde) opinião, é preciso esfregar a bucha sempre, se não não funciona. Não adianta fazer hoje, daí só na semana que vem, daí se esquecer, se lembrar... tem que ser constante. Isso porque a idéia é que você vá aumentando gradativamente a força, conforme os mamilos e a auréola vão se tornando mais resistenes. Não dá também para já ir com muita força no começo senão você só irá se machucar, desistir e atrapalhar todo o processo. É necessário equilíbrio e bom-senso.

Além de tudo isso, eu ainda - por sugestão do médico e da minha irmã - esfregava a toalha seca nos bicos do seio após o banho e de vez em quando pegava o secador com ar quente e direcionava o jato para eles. Mas só um pouquinho, nada exagerado para não ser contra-producente.

Algumas pessoas não recomendam usar sabonete na área mas eu sempre usei o neutro, de glicerina, e não tive problemas...

Ah! E tem que ser uma bucha vegetal, à venda em supermercados e farmácias. Os outros tipos, sintéticos, eu nunca experimentei, acho que podem machucar demais!


(4) Usar pomada específica.

Meu médico só liberou a pomada - Massê - depois dos 7 meses de gestação. Eu continuei a não passar nenhum hidratante, creme ou óleo, e também a usar a bucha, a toalha e o secador. Mas depois da toalha e do secador eu passava a Massê, esperava secar um pouco e só então vestia o sutiã.


(5) Passar o próprio leite no mamilo e na auréola antes e depois de cada mamada, depois que o bebê nascer.

O nosso leite é divino, é tudo de bom! Tem anti-corpos, vitaminas, proteínas, etc., e ainda tem alto poder cicatrizante!

A recomendação é de se passar um pouco do próprio leite nos mamilos e auréolas antes e depois de cada mamada.

Isso é claro você só vai fazer depois que o bebê nascer. Não dá para tentar fazer antes porque não é recomendado ficar tirando leite do seio antes de o bebê nascer. O motivo é que ao tirar leite - ou ao amamentar - mandamos um sinal para nosso cérebro e o corpo libera um hormônio - acho que é a oxitocina, estou mal de conhecimentos biológicos, hehe - que causa contrações uterinas. Isso é ótimo depois do parto, para que o útero volte ao tamanho normal e para diminuir o risco de se ter hemorragias, mas não é nada bom quando o bebê ainda está lá dentro porque uma contração pode causar problemas ao bebê ou até mesmo um aborto.

Eu sempre segui esta recomendação e também acho que ajudou muito. Eu o fazia - e ainda faço às vezes - mais por prevenção. É necessário esperar o leite secar antes de fechar o sutiã - é rápido, menos de um minuto.

Nem precisei passar as pomadas Millar ou aquela cara que minha irmã tinha comprado - Lansinoh, algo assim.


(6) Usar concha para seios.

Isto eu não precisei fazer pois meus mamilos sempre foram protuberantes. Mas a recomendação para quem tem bico plano é de usar conchas de silicone durante a gravidez e a amamentação:




A concha evita o contato com o sutiã - que acaba 'achatando' / 'aplainando' ainda mais o mamilo - e também o atrito, que o machuca.

Ela tem um sistema de ventilação e pode ser higienizada conforme indicações do fabricante. Custa em média R$ 27,00 e pode ser utilizada durante a amamentação também quando o leite fica vazando do peito entre as mamadas - eu usei, depois falo a respeito. Há quem não goste mas depois de um tempo você se acostuma a ela. Você fica com cara de Madonna, com súper peitos que chamam a atenção onde quer que você vá, mas até que é legal, rs!

Não sei se há também outras recomendações para quem tem mamilo plano, ou invertido. Aí é bom ver com um médico.

...

Como eu já disse, essa foi a minha experiência que no meu caso - e no da minha irmã - deu mais do que certo. A outra irmã foi uma das que só esfregava a bucha ocasionalmente e mesmo assim sem ir aumentando a força gradativamente e ela teve sim problemas!

Eu não tive que usar bico de silicone, não tive sangramentos, raras vezes senti dor ao amamentar... enfim! Espero que este post ajude outras pessoas a terem a mesma (boa) sorte.

Se alguém tiver algo a adicionar fica aqui o convite para sugestões que eu posso adicionar depois ao post.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tabela Nutricional

Dia desses fui levar a Isa ao posto de saúde para tomar vacina. Foi nesse dia em que aproveitei para passar no banco de leite onde doo leite para perguntar às enfermeiras se elas furavam orelhinha de bebê.

Conversando com elas sobre minha preocupação em relação ao crescimento da Isa - ela aparentava estar meio gordinha e baixinha - questionei se talvez meu leite não estivesse muito gorduroso e pouco nutritivo, já que eu não ando comendo muito bem.

Primeiro elas me disseram que se meu marido fosse baixinho a Isa poderia ter puxado a estatura dele. Possibilidade descartada visto que meu marido tem 1,90m e eu tenho 1,70m! E juro que ela não é filha do leiteiro, rs!

Então elas lembraram que é feita uma avaliação nutricional de todo leite doado e foram procurar os dados mais recentes do meu leite.

As informações mais interessantes - sobre proteínas, vitaminas e tal - só a nutricionista tem. Mas as enfermeiras têm acesso ao número de calorias e à quantidade de gordura de cada amostra.

Daí que foi constatado que numa dada amostra de 100ml do meu leite havia 1.73g de gordura e 498 calorias! Sim. 498 calorias em meros 100ml!

Arregalei os olhos e olhei para a moça incrédula.

- Tudo isso?
- É, mas está dentro do normal, ó.

(Ela me mostra os dados do leite de outras doadoras).

Me tranqüilizo.

Depois fui verificar o IMC da Isa e está bem na média. O pediatra disse que não havia com o que me preocupar então desencanei.

Mas juro que nunca mais tomo do meu próprio leite!

domingo, 10 de julho de 2011

O Choro e o Consolo

Hein!? Eu disse que a partir do dia 14 iria começar a fazer abdominais!? Esqueçam! Vou é começar a fazer exercícios para a musculatura das costas!

...

Comentei no post anterior que Isabel anda impossível.

Daí que eu tava numa loucura só, com uma pilhona de louça para lavar e um jantar inteiro para preparar - o arroz, os legumes, a salada, a carne... E ela só chorando, só chorando. Assim têm sido minhas 'férias'. Sim, estou de férias do trabalho!

E então me veio um estalo. Me lembrei do 'canguru' que minha irmã tinha me dado. É este aqui:



O vesti e coloquei Isabel virada para frente, assim:




A foto diz tudo, né!?

Ela parou de chorar na hora em que eu me levantei da poltrona. E lá fui eu descascar e cortar a cenoura, o tomate, o pepino,  a batata, a cebola... ops! Meus olhos começaram a lacrimejar e logo me toquei que ela também devia estar sentindo o incômodo. Que nada. Estava lá, toda serelepe.

Lavei também toda a louça com ela no canguru. Observadora que só ela, ela se 'esqueceu' da dor. Achei bem legal. Ela ficou entretida, junto a mim, e eu ainda pude fazer o que precisava ser feito sem deixá-la chorando.

Já combinamos que isso de ficar só olhando será só por alguns dias. Por agora ela é só aprendiz. Mas logo logo vou exigir que ela comece a me ajudar a lavar tudo e a preparar o jantar!

Foi um belo passo porque quando Isabel era menor eu tentei e quis muito me acostumar ao sling, sem sucesso. A Isabel pareceu gostar. Sei lá. Estava sempre dormindo então não dá para saber. Mas eu tinha medo de ela cair, de sufocá-la, de as costas ficarem tortas. Pensei até em colocar um botão para 'fechá-lo' mas antes disso ele acabou caindo no esquecimento e em desuso. Quero tentar novamente quando tiver outro bebê porque deve ser muito legal.

Mas então, o canguru foi minha salvação. Achei interessante ela poder ver tudo que eu fico fazendo. Ela ficava querendo pegar as coisas. Acho que ela deve ter aprendido um bocado! E vai ser que nem a mãe que a-do-ra cozinhar!

Só que, como tudo tem três lados, depois de um tempo comecei a sentir muita dor nas costas. Percebi que as alças das costas não estavam reguladas de forma igual. Quando as igualei a dor diminuiu mas mesmo assim persistiu. Isabel deve estar com uns 7,2kg - sim, ela é pequena para a idade dela! - e é bastante peso para quem está desacostumada. Talvez com o tempo eu me acostume...

Resolvi me sentar um pouco para descansar. E quando me sentei ela jogou o pescocinho para trás e fechou os olhinhos como quem diz: "Ufa! Estou esgotada!", haha. Tadinha... pegou no sono em questão de segundos! Fiquei com dó, tirei-a do canguru e coloquei-a no tatame.

E aproveitei para começar a cozinhar mesmo, a usar fogo, que é algo que eu não poderia fazer com ela no canguru - o episódio da queimadura no pezinho na porta do forninho me ensinou muita coisa!

Outra desvantagem foi que ela se molhou um pouquinho enquanto eu lavava a louça. Mas também nem foi tanto assim, vai.

Só que também não quero ficar usando o canguru o tempo todo, (1) porque tenho medo que ela se acostume e depois não queira sair dele, (2) penso que isso poderá deixá-la ainda mais preguiçosa do que já é!

Ainda assim, por enquanto, ele é mais que bem-vindo.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sai da frente que lá vem dente!

Isabel anda extremamente irritadiça. Essa última semana ela tem chorado o tempo todo, até no colo! Não quer ficar em nenhuma das cadeirinhas - nem na dura que é mais inclinadinha e na qual ela tem uma visão melhor de tudo, nem na molinha vibratória que tem um monte de brinquedo pendurado. Fica se contorcendo toda e se não a prendo ela vai escorregando até o chão. Não quer ficar muito tempo de bruços e menos ainda de barriga para cima. Só quer saber de se sentar!

Mas ela ainda não fica sentada durinha por muito tempo sozinha...

Tempos difíceis!

Ela também tem acordado com maior freqüência à noite e tem me deixado de cabelo em pé. Tentei de tudo. Voltei a dar simeticona por via das dúvidas. Não adiantou. Dei funchicória, remédio para refluxo, coloquei bolsa de água quente, fiz massagem, dei banho relaxante, troquei mil fraldas, agasalhei, desagasalhei... enfim. Fiz de tudo para tentar entender o quê estava acontecendo.

Tudo em vão.

Aí meu marido aparece e me pergunta: "Não são os dentinhos?"

Aí eu me lembro deles. Os benditos dentinhos. Dei Alivium para tentar aliviar a (possível) dor. Fiz também uma massagenzinha na gengiva dela. Deu certo.

Mas foi passar o efeito do Alivium e ela começou a chorar de novo. Tentei dar o mordedor geladinho mas ela não parece entender a função dele...

Aí outro dia, na sala de espera da neurocirurgiã - depois explico - um pai me disse que a primeira dentição, embora indolor para alguns bebês - e mamães - afortunados, pode não só causar febre e dor em alguns bebês mas também um quadro de cólica e gases similar ao dos primeiros meses. No caso da Isabel acho que está até pior, viu! Eu estava toda feliz que ela já tinha parado de ter cólicas mas a felicidade durou pouco...

Ele me explicou que a maior salivação causa maior produção de suco gástrico pelo estômago. É igual à história do chiclete. Se você masca muito, o estômago entende que vem comida pela frente e então passa a produzir mais ácido para digerir a comida. Mas como ela nunca vem, a acidez do suco gástrico acaba é por corroer as paredes do estômago causando desconforto e gastrite.

E esse excesso de suco gástrico causa dor e refluxo. Este por sua vez, faz com que o leite fermente por mais tempo. O que causa mais gases... E isso tudo causa sabe o quê!?

Uma mãe em parafuso! Sinceramente, estou esgotada. Fico brava com a Isabel às vezes mas logo em seguida me encho de culpa e peço desculpas. É uma montanha-russa. Já gritei com ela, fiquei com raiva, disse que ela não colabora, já deixei chorando, já peguei no colo, já chorei de culpa, já chorei ao ver a dor dela, já sorri quando ela parou de chorar e começou a tagarelar... enfim: que venham logo esses dentes!

Mas confesso que sentirei muuuuitas saudades da sua boquinha linda banguelinha. Se antes ela era minha 'sorrigengiva' logo logo ela vai se tornar minha 'sorridente', mesmo. Só espero que não nasçam primeiro os caninos, como com meu sobrinho, que ficou parecendo um vampirinho, tadinho!

Aí vai começar a querer morder tudo, vou ter que começar a escovar os dentinhos... Eu já passo uma gaze umedecida na gengivinha e boca dela de vez em quando, para 'desenvolver hábitos saudáveis de higiene bucal', como li num livro que minha dentista me deu sobre a saúde bucal das crianças. Mas é beeem de vez em quando. A Isabel mais tenta chupar meu dedo do que outra coisa! Quero só ver como vai ser ter que escovar seus dentinhos... Com meus sobrinhos já é um sufoco. Vai ser uma loucura. Mas pelo menos acho que vai ser mais tranqüilo do que agora!